CONFERÊNCIAS
Conferências
Terça-feira - 06/10/2026
20h00 - 22h00
Desinformação e bloqueio da investigação: hábito e autocorreção em C. S. Peirce
Prof. Dr. Max Rogério Vicentini
UEM
A desinformação é frequentemente compreendida a partir da falsidade dos conteúdos que coloca em circulação. Este trabalho propõe abordar o problema a partir da filosofia de C. S. Peirce, deslocando a análise para seus efeitos sobre a formação e transformação das crenças. Se a crença envolve a constituição de hábitos que orientam nossas expectativas e condutas, a eficácia da desinformação não consiste apenas em produzir assentimento a proposições falsas, mas também em estabilizar hábitos interpretativos resistentes à revisão. Essa perspectiva permite compreender por que a correção de uma informação falsa nem sempre é suficiente para desfazer seus efeitos. Sustenta-se, assim, que a desinformação pode produzir um bloqueio da investigação, entendido como redução da capacidade de submeter crenças à experiência e à autocorreção. Seu enfrentamento, portanto, não exige apenas a substituição do falso pelo verdadeiro, mas a preservação das condições que tornam possível a investigação.
Quarta-feira - 07/10/2026
20h00 - 22h00
Desinformação e discriminação algorítmica: uma análise filosófica-interdisciplinar de processos de geração de conflitos na opinião pública
Profª Drª Juliana Moroni
Pós-doutoranda em Filosofia - UNESP/INE2S/CNPq
Este trabalho tem como objetivo apresentar uma análise filosófico-interdisciplinar acerca da relação entre (des)informação e algoritmos discriminatórios, bem como a influência dessa relação nos processos de geração de conflitos na opinião pública. Partimos do princípio de que a tese da objetividade e imparcialidade algorítmica é falha na medida em que algoritmos podem promover desinformação, fundamentando processos discriminatórios. Enquanto componentes de tecnologias persuasivas, algoritmos são elementos centrais entre as ferramentas de software utilizadas pelas plataformas digitais que direcionam conteúdos, muitas vezes fundamentados em desinformação, com o intuito de influenciar a opinião pública através da geração de conflitos. Processos de geração de conflitos são concebidos por Bateson (2002, 2006) como cismogênese, formas de divisão social que, quando direcionadas para fins espúrios como a discriminação de gênero, racial ou LGBTQIAPN+fobia, incorporam aspecto hetero-organizado, influenciando negativamente a opinião pública, desequilibrando e deteriorando sistemas sociais e democráticos. Enquanto veiculadores de desinformação, algoritmos discriminatórios são disseminados com intuito de enganar e prejudicar grupos e indivíduos socialmente vulneráveis. Nesse sentido, analisamos o papel das mídias digitais, informativas e de entretenimento, na propagação e manutenção de preconceitos que são facilitados por algoritmos discriminatórios. Por fim, concluímos nossa apresentação destacando que: algoritmos discriminatórios preservam dinâmicas cismogênicas hetero-organizadas que influenciam e atingem negativamente a opinião pública, causando rupturas sociais, agravando-se com a ampla ausência de debates sobre discriminação algorítmica nos meios de comunicação. Isso contribui para alargar as dificuldades enfrentadas pela sociedade em compreender a dinâmica algorítmica e os prejuízos socias trazidos por tal dinâmica, manuseada e incorporada na agenda setting das Big Techs.
Quinta-feira - 08/10/2026
14h00 - 15h00
Informação, Desinformação e Inteligência Artificial: como decidimos no mundo digital
Profª. Me. Caroline da Silva Lourenzoni e Prof. Me. Renan Molini da Costa
A presente conferência tem como
objetivo discutir acerca do papel das IAs na produção, seleção e circulação de
conteúdos potencialmente desinformativos, considerando seus limites no âmbito
dos processos decisórios humanos. Discutiremos a capacidade desses sistemas de
gerar e amplificar conteúdos podendo interferir na formação e na circulação de
crenças, afetando os processos pelos quais os indivíduos avaliam situações. De
acordo com Narayanan e Kapoor, em AI Snake Oil: what artificial intelligence
can do, what it can’t and how to tell the difference, a relação entre
inteligência artificial e desinformação se dá sobretudo a partir dos limites
dos sistemas e de sua inserção nas plataformas digitais. Os autores
problematizam a ideia de que a IA poderia ser capaz de solucionar problemas
relacionados a circulação dessas informações, uma vez que são apenas sistemas
automatizados que podem apresentar limitações. Há uma confiança excessiva
atribuída às capacidades IA, ou seja, a aparente sofisticação pode levar os
usuários e instituições a presumirem que as previsões e classificações são mais
confiáveis do que efetivamente são. Nesse contexto, torna-se necessário
compreender de que maneira a informação é produzida, interpretada e incorporada
pelos indivíduos, considerando que o acesso a determinados conteúdos pode
participar da formação de crenças e orientar decisões. A desinformação,
portanto, não se restringe à produção de conteúdos falsos, mas envolve também
os processos de seleção, circulação, interpretação e atribuição de
credibilidade às informações. Assim, discutiremos como a mediação tecnológica
pode modificar a relação entre dados, informação e conhecimento, especialmente
quando sistemas automatizados participam desses processos. Pretende-se, ainda,
problematizar os critérios utilizados pelos indivíduos para avaliar a
confiabilidade dos conteúdos que recebem e compartilham. Por fim, a comunicação
buscará refletir sobre os limites da utilização das IAs como instrumentos de
identificação ou combate à desinformação, destacando a necessidade de uma
postura crítica diante dos conteúdos mediados por esses sistemas.
Palavras-Chave:
Inteligência Artificial.
Desinformação. Decisão. Crenças.
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